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Dr. Heleno Cavalcante - Cirurgia no Quadril e Joelho - Cirurgia robótica e navegada

Liberdade de movimento

Dor no quadril: causas, diagnóstico e tratamento

A dor no quadril pode vir da própria articulação (como artrose ou impacto femoroacetabular), dos tendões da lateral do quadril ou da coluna lombar. O lugar onde dói e a idade ajudam a separar essas causas. Na maioria dos casos, o tratamento começa sem cirurgia. A prótese de quadril é indicada quando a artrose está avançada e a dor continua limitando a vida, mesmo com o tratamento adequado.

Ilustração do quadril com destaques para a articulação, os tendões da lateral do quadril e a coluna lombar

Da fisioterapia à prótese

Entender o corpo

Dor no quadril ou na coluna? O local da dor ajuda a entender

Muita gente chama de “quadril” qualquer dor entre a cintura e a coxa. O lugar exato da dor costuma indicar de onde ela vem. Isso não substitui o exame, mas ajuda a direcionar a consulta.

  • Dentro da articulação

    Na virilha

    A dor na virilha, às vezes descendo pela frente da coxa até o joelho, é o sinal mais típico de problema dentro da articulação do quadril. É comum na artrose, no impacto femoroacetabular e nas lesões do lábio. Costuma piorar ao calçar meias, cortar as unhas dos pés, entrar e sair do carro ou ficar muito tempo sentado.

  • Tendões dos glúteos

    Na lateral do quadril

    A dor no “osso” do lado do quadril, que piora ao deitar sobre esse lado, subir escadas ou ficar em pé apoiada numa perna só, costuma vir dos tendões dos glúteos (tendinopatia glútea, antes chamada de bursite). Raramente é artrose.

  • Coluna lombar

    Na nádega

    A dor na nádega, principalmente se desce pela parte de trás da coxa até abaixo do joelho, ou se vem com formigamento e dormência, aponta com frequência para a coluna lombar (compressão de nervo). Também pode vir da articulação sacroilíaca ou dos músculos da região.

Onde dóiOrigem mais provávelPista típica
Virilha e frente da coxaArticulação do quadrilDificuldade para calçar meia ou cruzar a perna
Lateral do quadrilTendões dos glúteosDor ao deitar de lado
Nádega, descendo pela pernaColuna lombarFormigamento ou dormência

Sinais de atenção

Quando a dor no quadril é urgente

A dor no quadril é urgente quando aparece depois de uma queda em pessoa idosa, vem com febre, com perda de força na perna ou alteração no controle da urina, ou quando quem tem prótese sente dor súbita com a perna travada. Nesses casos, procure um pronto-socorro.

Procure atendimento sem esperar se:

  • Uma pessoa idosa caiu e sente dor no quadril ou na virilha, não consegue apoiar a perna, ou a perna ficou mais curta e girada para fora. Pode ser uma fratura. Leve a pessoa a um pronto-socorro e veja o guia para a família mais abaixo.
  • A dor é forte, começou de repente e vem com febre, o que pode indicar infecção na articulação.
  • A dor vem com perda de força na perna ou alteração no controle da urina ou das fezes, o que pode indicar uma compressão grave na coluna.
  • A pessoa já tem uma prótese de quadril e sente dor súbita com a perna travada ou numa posição estranha, o que pode indicar luxação.

Em diferentes fases da vida

Causas mais comuns em cada fase da vida

As causas da dor no quadril mudam com a idade. Em adultos jovens e ativos, o mais comum é o impacto femoroacetabular; na meia-idade, a tendinopatia glútea e a bursite; depois dos 60 anos, a artrose e, em quem cai, a fratura. As faixas abaixo são uma orientação geral, e qualquer causa pode aparecer fora delas.

  • Adultos jovens

    Adultos jovens e ativos: impacto femoroacetabular e lesão do lábio

    O impacto femoroacetabular (IFA) acontece quando o formato da cabeça do fêmur ou da borda do acetábulo (a “concha” da bacia) faz os ossos se encostarem em certos movimentos, como agachar fundo ou girar a perna. Com o tempo, isso pode lesionar o lábio, um anel de cartilagem que veda a articulação. Causa dor na virilha em quem pratica esportes ou faz esforços com o quadril muito dobrado.

    Ter o formato de IFA no exame não significa ter um problema: muitas pessoas têm e nunca sentem nada. O tratamento começa com ajuste de atividade e fisioterapia. A artroscopia (cirurgia por pequenos cortes, com câmera) pode ser considerada quando os sintomas persistem e não há artrose avançada.

  • Meia-idade

    Meia-idade: tendinopatia glútea e bursite

    A tendinopatia glútea (síndrome dolorosa do trocânter maior) é a causa mais comum de dor na lateral do quadril, principalmente em mulheres a partir dos 40 anos. A dor piora à noite ao deitar de lado, ao cruzar as pernas e ao subir escadas.

    O tratamento mais estudado combina orientação e exercícios específicos para os glúteos. Em um ensaio clínico (estudo LEAP, BMJ 2018), essa combinação foi melhor a médio prazo que a infiltração com corticoide, que alivia mais rápido, mas por menos tempo.

  • Mais de 60 anos

    Mais de 60 anos: artrose, necrose da cabeça do fêmur e fraturas

    • Artrose do quadril (coxartrose): é o desgaste da cartilagem da articulação. Causa dor na virilha, rigidez pela manhã e dificuldade progressiva para calçar meias, amarrar sapatos e caminhar distâncias maiores.
    • Necrose da cabeça do fêmur (osteonecrose): é a falta de circulação de sangue em parte do osso. Pode aparecer antes dos 60, e tem relação com o uso prolongado de corticoide, com o consumo de álcool e com algumas doenças. Na fase inicial, o raio-X pode ser normal, e por isso a ressonância é importante quando há suspeita.
    • Fratura do quadril: acontece principalmente em idosos com osteoporose, depois de uma queda. Veja o guia para a família abaixo.

Investigar para cuidar

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico: o médico testa os movimentos do quadril, procura pontos de dor e examina a coluna, para separar a dor do quadril da dor que vem das costas.

Exames de imagem são pedidos conforme a suspeita:

  • Raio-X da bacia e do quadril: é o principal exame para artrose, IFA e fraturas.
  • Ressonância magnética: mostra tendões, necrose em fase inicial e fraturas que não aparecem no raio-X.
  • Artrorressonância: é uma ressonância com contraste dentro da articulação, usada quando há suspeita de lesão do lábio.
  • Infiltração diagnóstica: às vezes um anestésico aplicado na articulação, guiado por imagem, ajuda a confirmar se a dor vem mesmo do quadril.
Médico examinando o movimento do quadril de um paciente deitado na maca

Cuidado que começa na rotina

Tratamento sem cirurgia: o que funciona

Para a maioria das dores no quadril, o tratamento começa sem cirurgia. A base é a fisioterapia com fortalecimento, somada ao controle de peso e ao ajuste das atividades. Remédios nas crises e infiltrações podem aliviar a dor por um período. O tratamento inclui:

  • Fisioterapia e fortalecimento: são a base para a artrose, a tendinopatia glútea e o IFA. Diretrizes internacionais (OARSI 2019) colocam o exercício como primeira linha no tratamento da artrose.
  • Controle de peso: reduz a carga sobre a articulação.
  • Ajuste de atividades: trocar o impacto por exercícios de menor carga, como bicicleta ergométrica, hidroginástica e natação. Bengala na mão do lado oposto, quando necessário.
  • Medicamentos: analgésicos e anti-inflamatórios nas crises, por tempo limitado e com orientação médica.
  • Infiltração guiada por imagem: pode aliviar a dor por um período na artrose e na tendinopatia. O efeito é temporário, e o uso deve ser criterioso.

Limitações: na artrose do quadril, esses tratamentos controlam os sintomas, mas não reconstroem a cartilagem. Quando a artrose está avançada, o alívio pode ser pequeno. É nesse ponto que a prótese entra na conversa.

Veja as opções de infiltração e o que se sabe sobre a medicina regenerativa.

Quando considerar a cirurgia

Prótese de quadril: quando, como e o que esperar

A prótese de quadril (artroplastia) substitui a cabeça do fêmur e o revestimento do acetábulo por componentes artificiais. Na artrose avançada, costuma trazer alívio importante da dor e melhora da marcha. Como toda cirurgia, tem riscos, e a decisão é individual.

Ilustração da prótese total de quadril implantada, com o componente do acetábulo, a cabeça e a haste no fêmur

Quando a prótese é indicada

A prótese é considerada quando:

  • A dor atrapalha andar, dormir ou se vestir.
  • O tratamento sem cirurgia já não controla os sintomas.
  • Os exames confirmam desgaste avançado da articulação, por artrose ou necrose.

Ela também é usada em alguns tipos de fratura do colo do fêmur em idosos. A idade sozinha não define a indicação: pesam a dor, a limitação, a saúde geral e as expectativas da pessoa.

Orientação para a família

Fratura do quadril em idosos: o que a família precisa saber

A fratura do quadril em idosos é uma emergência: na maioria dos casos, o tratamento é cirúrgico, e as diretrizes (como as da AAOS) recomendam operar o quanto antes, em geral nas primeiras 24 a 48 horas, assim que a pessoa estiver clinicamente estável.

Como reconhecer: depois de uma queda, mesmo que leve, a pessoa sente dor na virilha ou no quadril, não consegue apoiar a perna, e a perna pode ficar mais curta e girada para fora.

O que fazer:

  1. Não force a pessoa a andar.
  2. Leve-a a um pronto-socorro.
  3. Leve a lista de medicamentos que ela usa, principalmente anticoagulantes, e os exames recentes.

Por que operar cedo: ficar muito tempo deitado aumenta o risco de pneumonia, trombose, escaras e perda de força. A cirurgia, por fixação da fratura ou por prótese conforme o tipo de fratura, permite que a pessoa volte a se movimentar mais cedo.

Depois da alta: a recuperação envolve fisioterapia, prevenção de novas quedas (iluminação, tapetes, barras de apoio) e investigação e tratamento da osteoporose.

Dúvidas

Perguntas frequentes sobre o quadril

Como saber se a dor é do quadril ou da coluna?

A dor na virilha costuma vir do quadril. A dor na nádega que desce pela perna, com formigamento, costuma vir da coluna. Como as duas podem coexistir, o exame físico e os exames de imagem confirmam a origem.

Por que o quadril dói quando deito de lado?

Na maioria das vezes, por causa dos tendões dos glúteos (tendinopatia glútea). O tratamento é feito principalmente com exercícios específicos e orientação sobre as posições.

Artrose no quadril tem cura?

Não há tratamento que reconstrua a cartilagem. Exercício, controle de peso e medicação ajudam a controlar a dor. Quando a artrose está avançada, a prótese costuma aliviar bem a dor.

Qual é a idade certa para colocar prótese de quadril?

Não existe idade certa. A indicação considera a dor, a limitação, a resposta ao tratamento sem cirurgia e a saúde geral.

Depois da prótese, vou poder andar normalmente?

A maioria das pessoas volta a caminhar sem apoio em algumas semanas a poucos meses, com menos dor que antes. O resultado depende da reabilitação e da condição de saúde de cada pessoa.

Quanto tempo dura a recuperação da prótese de quadril?

Em geral, a pessoa caminha com apoio nos primeiros dias, ganha independência em 4 a 6 semanas e segue melhorando por até 1 ano.

Meu pai caiu e está com dor no quadril. O que faço?

Não force a caminhada e leve-o a um pronto-socorro. Se for fratura, o tratamento costuma ser cirúrgico e deve ser feito o quanto antes.

Agendamento

Agende uma avaliação

Se a dor no quadril está atrapalhando as suas caminhadas, o seu sono ou as suas tarefas, uma avaliação ajuda a entender de onde ela vem e quais são as opções, da fisioterapia à prótese.

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Vem de outra cidade? O consultório fica em Dracena-SP. Em datas programadas, o Dr. Heleno também atende em Três Lagoas-MS, Presidente Prudente-SP, Birigui-SP e Água Clara-MS. Consulte as próximas datas pelo WhatsApp.

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Conteúdo por Dr. Heleno Cavalcante · CRM/SP 121932 · RQE 33125 · Atualizado em

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual.

Referências

  1. Bannuru RR et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis and Cartilage, 2019.
  2. Mellor R et al. Education plus exercise versus corticosteroid injection use versus a wait and see approach on global outcome and pain from gluteal tendinopathy (LEAP). BMJ, 2018.
  3. Griffin DR et al. The Warwick Agreement on femoroacetabular impingement syndrome (FAI syndrome). Br J Sports Med, 2016.
  4. Evans JT et al. How long does a hip replacement last? A systematic review and meta-analysis of case series and national registry reports. The Lancet, 2019.
  5. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Hip Fractures in Older Adults, Clinical Practice Guideline, 2021.