Pular para o conteúdo
Dr. Heleno Cavalcante - Cirurgia no Quadril e Joelho - Cirurgia robótica e navegada

Mobilidade e qualidade de vida

Dor no joelho: causas, diagnóstico e tratamento

A dor no joelho pode vir de desgaste da cartilagem (artrose), de lesões do menisco ou dos ligamentos, ou de sobrecarga na região da patela. Na maioria dos casos, o tratamento começa sem cirurgia, com fisioterapia, fortalecimento e ajustes de rotina. A cirurgia entra quando esses caminhos não bastam ou quando há uma lesão que exige reparo. O ponto de partida é sempre uma avaliação com exame físico e, se necessário, exames de imagem.

Ilustração do joelho em vista lateral com destaques para desgaste da cartilagem, lesão de menisco e ligamentos

Tratamento começa sem cirurgia

Reconheça os sinais

Dor no joelho: o que ela pode indicar

O jeito, a hora e o lugar em que o joelho dói dão pistas sobre a causa. A tabela abaixo ajuda a entender o que costuma estar por trás de cada padrão. Ela não substitui o diagnóstico: sintomas parecidos podem ter causas diferentes.

O que você senteO que pode estar por trásMais comum em
Dor na frente do joelho ao subir ou descer escadas, agachar ou ficar muito tempo sentadoDor patelofemoral (condromalácia) ou artroseJovens ativos, mulheres, pessoas acima dos 50
Dor que piora ao longo do dia, rigidez ao levantar e estalosArtrose (desgaste da cartilagem)A partir dos 50 anos
Joelho que “trava” ou não estica por completoLesão de meniscoApós torção, ou por desgaste com a idade
Joelho que “falseia” (sensação de que vai sair do lugar) depois de uma torçãoLesão de ligamento, principalmente do LCAQuem pratica esportes com giro e salto
Dor logo abaixo da patela ao correr ou saltarTendinite patelarCorredores e atletas de salto
Inchaço que aparece depois de um esforço ou sem motivo claroExcesso de líquido na articulação (derrame), sinal de que algo está irritando o joelhoQualquer idade

Sinais de atenção

Quando procurar atendimento logo

A maioria das dores no joelho pode esperar uma consulta agendada. Alguns sinais, porém, pedem atendimento no mesmo dia: inchaço forte logo após uma torção, joelho travado, incapacidade de apoiar o peso, febre com o joelho vermelho e quente, ou inchaço súbito da panturrilha.

Procure atendimento médico sem esperar se:

  • O joelho inchou muito logo após uma torção ou pancada.
  • Você não consegue apoiar o peso na perna.
  • O joelho travou e não volta a dobrar ou esticar.
  • Há deformidade visível depois de um trauma.
  • O joelho está vermelho, quente e você tem febre, o que pode indicar infecção.
  • A panturrilha incha e dói de repente, principalmente após uma cirurgia ou um longo período parado. Pode ser trombose, e nesse caso procure um pronto-socorro.

Conheça seu joelho

Problemas mais comuns no joelho

Artrose, lesões de menisco e de ligamentos, dor patelofemoral e tendinite patelar estão entre as causas mais frequentes de dor no joelho. Cada uma tem sinais e tratamentos próprios.

  • A partir dos 50

    Artrose no joelho (gonartrose)

    A artrose é o desgaste progressivo da cartilagem, o tecido liso que reveste as pontas dos ossos e permite que o joelho se mova sem atrito. Com o tempo, a cartilagem afina, e o joelho pode doer, inchar, estalar e perder movimento.

    Ela é mais comum depois dos 50 anos e tem relação com idade, excesso de peso, lesões antigas e histórico familiar. Não existe tratamento que reconstrua a cartilagem desgastada, mas há muito a fazer para controlar a dor e manter o joelho funcionando. A maior parte dessas medidas não envolve cirurgia.

  • Torção ou desgaste

    Lesão de menisco

    Os meniscos são duas “almofadas” de cartilagem em formato de meia-lua que amortecem o impacto entre o fêmur e a tíbia. Em pessoas jovens, costumam romper numa torção, no esporte ou no trabalho. Depois dos 40, podem se romper por desgaste, às vezes sem nenhum trauma marcante.

    Nem toda lesão de menisco precisa de cirurgia. Lesões por desgaste costumam melhorar com fisioterapia. A cirurgia é considerada principalmente quando o joelho trava de verdade ou quando a lesão tem bom potencial de reparo.

  • Esporte com giro

    Lesão do LCA e de outros ligamentos

    Os ligamentos são “cordas” que mantêm o joelho estável. O ligamento cruzado anterior (LCA) é o que mais se rompe, geralmente num giro brusco com o pé fixo no chão. É comum sentir um estalo, o joelho incha nas horas seguintes e depois fica a sensação de instabilidade.

    O tratamento depende do nível de atividade, da idade e de outras lesões associadas. Para quem pratica esportes com giro ou sente o joelho falsear no dia a dia, a reconstrução cirúrgica costuma ser discutida. Outros ligamentos, como o colateral medial, muitas vezes cicatrizam sem cirurgia.

  • Escadas e agachamento

    Dor patelofemoral (condromalácia)

    É a dor na frente do joelho, em volta ou atrás da patela (rótula). Costuma piorar em escadas, agachamentos e quando a pessoa fica muito tempo sentada. Está ligada à forma como a patela desliza sobre o fêmur e à força dos músculos da coxa e do quadril.

    O tratamento é quase sempre sem cirurgia: fortalecimento orientado, ajuste da carga de treino e, às vezes, mudanças no calçado ou na pisada.

  • Corrida e salto

    Tendinite patelar

    É a inflamação ou degeneração do tendão que liga a patela à tíbia, típica de quem corre ou salta com frequência. Dói logo abaixo da patela no início do esforço. O tratamento envolve ajustar a carga e fazer exercícios específicos para o tendão, que exigem paciência: a melhora costuma levar semanas a meses.

Sua jornada de cuidado

Como é feita a avaliação do joelho

  1. Etapa 01

    Conversa

    A consulta começa pela conversa: quando a dor começou, o que piora, o que alivia e o que você deixou de fazer por causa dela.

  2. Etapa 02

    Exame físico

    Em seguida vem o exame físico, com testes de movimento, estabilidade e pontos de dor. Muitas vezes, só isso já aponta o diagnóstico.

  3. Etapa 03

    Exames, se ajudarem a decidir

    Exames de imagem são pedidos quando ajudam a decidir o tratamento:

    • Raio-X: mostra os ossos e o espaço entre eles. É o principal exame para avaliar a artrose.
    • Ressonância magnética: mostra menisco, ligamentos e cartilagem. É indicada quando há suspeita de lesão que mudaria a conduta, não como rotina para toda dor no joelho.
    • Ultrassom: útil para tendões e para guiar infiltrações.
  4. Etapa 04

    Plano explicado

    Ao final, você sai com uma explicação do que tem e com as opções de tratamento, incluindo as vantagens e as limitações de cada uma.

Ilustração das quatro etapas da avaliação do joelho: conversa sobre os sintomas, exame físico, exames de imagem e explicação do plano de tratamento com um modelo do joelho

Um plano individual

Do tratamento sem cirurgia à cirurgia

Na maioria dos problemas do joelho, o tratamento começa sem cirurgia e só avança quando os sintomas continuam. Funciona como uma escada: começa pelo degrau mais simples e só sobe quando necessário. Lesões traumáticas, como algumas rupturas de ligamento ou de menisco, podem pular degraus, e isso é avaliado caso a caso.

  • Degrau 1

    Fisioterapia, exercícios e mudanças de hábito

    É a base do tratamento para artrose, dor patelofemoral, tendinites e boa parte das lesões de menisco. Fortalecer a coxa e o quadril tira carga do joelho. Perder peso, quando há excesso, reduz a dor da artrose.

    Limitação: os resultados aparecem em semanas, não em dias, e dependem de continuidade.

  • Degrau 2

    Medicamentos e infiltrações

    Analgésicos e anti-inflamatórios ajudam nas crises, por tempo limitado. As infiltrações levam o medicamento direto ao joelho: corticoide dá alívio rápido e temporário; ácido hialurônico e nanofat têm resultados que variam e ainda são estudados.

    Saiba mais: medicina regenerativa e infiltrações.

  • Degrau 3

    Artroscopia e reconstrução de ligamentos

    A artroscopia é uma cirurgia feita por pequenos cortes, com uma câmera dentro do joelho. É usada para tratar lesões de menisco que travam o joelho ou que podem ser suturadas, e para reconstruir o LCA.

    Importante: para joelhos com artrose, a artroscopia de “limpeza” não traz benefício duradouro segundo os estudos, e por isso não é recomendada nesses casos.

  • Degrau 4

    Prótese de joelho

    É indicada quando a artrose está avançada e a dor e a limitação continuam mesmo após o tratamento sem cirurgia. Substitui as superfícies desgastadas por componentes de metal e polietileno, de forma total ou parcial.

    Na prática: a decisão considera idade, saúde geral e o quanto a dor limita a rotina. Veja abaixo.

Artrose avançada

Prótese de joelho: quando, como e o que esperar

A prótese de joelho (artroplastia) substitui as superfícies desgastadas da articulação por componentes de metal e polietileno (um tipo de plástico de alta resistência). Na artrose avançada, o objetivo é aliviar a dor e devolver função. Como toda cirurgia, tem riscos, e a decisão é individual.

Ilustração da prótese total de joelho: o joelho com artrose antes e depois da cirurgia, a prótese implantada e seus componentes de metal e polietileno

Quando a prótese é indicada

A prótese costuma ser considerada quando:

  • A dor atrapalha andar, dormir ou fazer tarefas simples.
  • O tratamento sem cirurgia, bem feito, já não controla os sintomas.
  • Os exames confirmam desgaste avançado.

A decisão não depende só do exame. Duas pessoas com o mesmo raio-X podem ter necessidades diferentes. A idade, a saúde geral, as expectativas e o quanto a dor limita a vida pesam na escolha.

Há próteses totais, que substituem todo o joelho, e parciais, que trocam só a parte desgastada, conforme o padrão do desgaste.

A prótese pode ser feita com técnica convencional, navegada ou assistida por robô. Saiba mais sobre a cirurgia robótica.

Dúvidas

Perguntas frequentes sobre o joelho

Artrose no joelho tem cura?

Não há tratamento que reconstrua a cartilagem desgastada. Por outro lado, a dor e a função podem melhorar com exercício, controle de peso, medicação e, quando indicado, infiltrações ou prótese.

Lesão de menisco sempre precisa de cirurgia?

Não. Lesões por desgaste, comuns depois dos 40 anos, costumam melhorar com fisioterapia. A cirurgia é considerada quando o joelho trava ou quando a lesão pode ser reparada.

Estalo no joelho é sinal de problema?

Estalos sem dor e sem inchaço costumam ser normais. Merecem avaliação quando vêm com dor, inchaço, travamento ou falseio.

Preciso fazer ressonância?

Nem sempre. O raio-X e o exame físico resolvem muitos casos. A ressonância é útil quando há suspeita de lesão de menisco ou ligamento que mudaria o tratamento.

Qual é a idade certa para colocar prótese de joelho?

Não existe idade certa. A indicação considera a intensidade da dor, a limitação, o resultado do tratamento sem cirurgia e a saúde geral.

Quanto tempo dura uma prótese de joelho?

Estudos de registros de próteses mostram que a maioria segue funcionando após 15 a 20 anos. A durabilidade depende do tipo de prótese, do peso e do nível de atividade.

Corrida faz mal para o joelho?

Para joelhos saudáveis, a corrida com carga bem dosada não aumenta o risco de artrose. Quem já tem dor ou lesão deve ajustar o treino com orientação.

Agendamento

Agende uma avaliação

Se o joelho está limitando a sua rotina, o primeiro passo é entender o que está acontecendo. Na consulta, você recebe o diagnóstico e as opções de tratamento explicadas com clareza, incluindo as que não envolvem cirurgia.

Agendar uma avaliação (abre em nova aba)

Vem de outra cidade? O consultório fica em Dracena-SP. Em datas programadas, o Dr. Heleno também atende em Três Lagoas-MS, Presidente Prudente-SP, Birigui-SP e Água Clara-MS. Consulte as próximas datas pelo WhatsApp.

Páginas relacionadas

Conteúdo por Dr. Heleno Cavalcante · CRM/SP 121932 · RQE 33125 · Atualizado em

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual.

Referências

  1. Bannuru RR et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis and Cartilage, 2019.
  2. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Osteoarthritis of the Knee (Non-Arthroplasty), Clinical Practice Guideline, 3ª ed., 2021.
  3. Beaufils P et al. Surgical management of degenerative meniscus lesions: the 2016 ESSKA meniscus consensus. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc, 2017.